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O que é a sífilis e por que o número de casos está aumentando?

Os preservativos ajudam a prevenir a sífilis [Foto: Getty]

Por Marie Claire Dorking

Mesmo com o aumento de iniciativas na educação sexual, um novo relatório alerta que o número de casos de sífilis na Europa atingiu o maior patamar de todos os tempos. Um dos crescimentos mais vertiginosos foi observado no Reino Unido.

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Um relatório do Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC) revelou que o número de casos da doença sexualmente transmissível mais do que dobrou no Reino Unido entre 2007 e 2017.

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O Reino Unido foi um dos cinco países – juntamente com Islândia, Irlanda, Malta e Alemanha – onde o número de casos da infecção mais do que dobrou nos últimos dez anos. Em 2007, o Reino Unido tinha 3.561 casos, já em 2017 o número chegou aos 7.798.

De acordo com a pesquisa, o aumento do número foi motivado, principalmente, por homens que mantêm relações sexuais com outros homens.

O relatório também atribuiu o crescimento a homens que não usam preservativos, a diversidade de parceiros sexuais e ao abuso de substâncias.

O comportamento sexual de risco também foi citado como um fator que contribuiu para o aumento.

Andrew Amato-Gauci, chefe do programa da ECDC voltado para HIV, DSTs e hepatite viral, disse ao jornal ‘Telegraph’ que o fato das pessoas não temerem mais contrair o vírus do HIV faz com que elas assumam mais riscos em relação ao uso de métodos contraceptivos.

“O aumento da sífilis observado na Europa, bem como em outros países ao redor do mundo, é resultado de diversos fatores, como pessoas mantendo relações sexuais sem preservativos com diversos parceiros, combinados com um medo reduzido de contrair HIV”.

O que é a sífilis e como ela é transmitida?

“A sífilis é uma infecção bacteriana geralmente transmitida por meio do sexo vaginal, oral ou anal desprotegido, ou pelo compartilhamento de brinquedos sexuais,” explica a Dra. Laura Joigneau Prieto, médica do Zava UK.

A médica Lizzie Kershaw-Yates, membro da equipe da The STI Clinic, explica que a infecção é transmitida de pessoa para pessoa por meio do contato com uma ferida de sífilis.

“Qualquer um que seja sexualmente ativo está correndo esse risco,” diz Lizzie.

Também é possível contrair a sífilis por meio do uso de drogas injetáveis e compartilhamento de agulhas e seringas ou através de transfusões sanguíneas.

Porém, vale a pena ressaltar que a sífilis não é transmitida ao compartilhar vasos sanitários, banheiros, roupas ou talheres com uma pessoa infectada.

Especialistas citam o comportamento sexual de risco como um dos fatores para o aumento dos casos de sífilis [Foto: Getty]

Quais são os sintomas da sífilis?

Os sintomas do primeiro estágio da infecção incluem uma pequena ferida indolor, chamada de “cancro” e encontrada no local da infecção.

“Ela costuma ser encontrada no pênis ou na vagina ou ao redor do ânus,” diz a médica Joigneau Prieto. “Pode aparecer também nos dedos, boca, lábios ou nádegas. As glândulas do pescoço, virilha e axila também podem ficar inchadas”.

Esses sintomas desaparecem em oito semanas mesmo sem tratamento, e o preocupante é que algumas pessoas podem não apresentar nenhum tipo de sintoma ou nem notá-los.

“Isso não significa que a infecção foi embora,” alerta Joigneau Prieto. “Sem tratamento, ela vai se desenvolver e chegar ao segundo estágio, conhecido como sífilis secundária”.

De acordo com a Dra. Kershaw-Yates, a sífilis é dividida em estágios (primário, secundário, latente e terciário), e há diferentes sinais e sintomas associados a cada estágio.

O que acontece se a sífilis não for tratada?

Embora seja relativamente fácil de tratar com antibióticos, se não for cuidada pode causar sintomas graves incluindo febre, fadiga, dores nas articulações, dores de cabeça, alergias na pele, protuberâncias ao redor do ânus ou da vulva, e até queda de cabelo.

“Eventualmente, a infecção pode afetar o coração, o cérebro, o sistema nervoso e os ossos, levando a problemas cardíacos, cegueira, derrame e até demência,” explica Joigneau Prieto.

Como a sífilis é diagnosticada?

Se você suspeita de que pode ter contraído deve consultar um médico para fazer os exames pertinentes.

“Para diagnosticar a sífilis, geralmente é preciso fazer um exame de sangue, e você também pode passar por um exame clínico e o exame do cotonete em qualquer ferida visível,” explica Prieto.

A médica aponta que podem ser necessárias várias semanas para que a sífilis seja detectada num exame após ser contraída. Por isso é comum repeti-lo.

“Se você acha que foi exposto à sífilis, é importante verificar a presença de outras DSTs, já que é possível estar infectado com várias doenças sexualmente transmissíveis ao mesmo tempo,” acrescenta a médica.

Como a sífilis é tratada?

Inicialmente tratada com um ciclo curto de antibióticos. O tratamento é essencial porque a infecção não desaparece sozinha.

“Os antibióticos geralmente são suficientes para tratar a infecção, mas o tipo de antibiótico que será receitado vai depender do tempo desde que a sífilis foi contraída,” explica Joigneau Prieto.

“Se você tem sífilis há menos de dois anos vai receber uma injeção de penicilina ou tomar 14 dias de antibiótico em forma de comprimidos em casos de alergia à penicilina”.

“Para casos de sífilis com mais de dois anos são necessárias três injeções de penicilina ou um ciclo de 28 dias de antibióticos em forma de comprimidos”.

De acordo com a Dra. Kershaw-Yates, é importante evitar as relações sexuais até que as feridas da sífilis estejam completamente curadas e exames confirmem que a doença não está mais presente.

“Também é importante avisar seu atual parceiro ou parceiros para que eles possam ser examinados e tratados, se necessário,” ela acrescenta.

Como a sífilis pode ser prevenida?

Embora a sífilis nem sempre possa ser prevenida, a Dra. Kershaw-Yates diz que é possível diminuir o risco de contraí-la praticando sexo seguro.

“Se você sempre usar preservativo, seu risco de contrair a sífilis será muito reduzido (os preservativos não oferecem uma proteção completa, já que as feridas, em alguns casos, podem estar em áreas que não são cobertas pelos mesmos)” disse ela.

Ela também sugere usar um dental dam (barreira dental de plástico) durante o sexo oral.

“Além disso, evite o compartilhamento de brinquedos sexuais. Se for compartilhá-los, lave-os e cubra-os com um preservativo antes de cada uso,” acrescenta.

Estas medidas também podem reduzir o risco de contrair outras doenças sexualmente transmissíveis.